Categoria: Memórias
Relatos pessoais
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Pensem em uma mulher que veio antes de vocês. Uma avó, uma bisavó, uma mais velha. Alguém cujo nome talvez a gente nem saiba mais. Pensem em tudo o que ela quis dizer e não pôde. Em tudo o que ela suportou para que a gente pudesse estar aqui. É a elas que eu peço…
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“Mãe é mar”. Uma imensidão d’água que alcança o mundo todo. Uma imensidão d’água que nos toca, nos abraça, nos ensina. Mãe, pra celebrar sua vida, sua imensidão, sua sabedoria e sua potência, nós nos reunimos aqui eternizando em palavras seus ensinamentos. 36 aprendizados. 36 vezes em que suas águas nos lavam, nos transformam, nos…
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Como eu soube que era minha hora de começar um Curso de Desenvolvimento Mediúnico? Tudo começou com uma música: o meu lugar, é caminho de Ogum e Iansã. Depois de semanas cantarolando esse trechinho, eu me dei conta, não me lembrava quando havia sido sequer a última vez que tinha ouvido aquele samba, mas a…
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As grandes decisões das nossas vidas raramente se mostram como tal. Elas chegam como uma escolha pequena, “e se eu fosse?”. Um sussurro. Um pensamento despretensioso. “E se eu dissesse sim?” Era quase fim de semana. Mais uma vez a Lorrane me convidava pra gira. Preto Velho. “Não tem gira melhor pra você se sentir…
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Era o primeiro Viver Orixá da Casa Axé das Águas. Um formato novo, pensado para mergulharmos, com mais tempo e profundidade, nos saberes, nas virtudes e nos mistérios dos Orixás. Naquele dia, o encontro era dedicado à Iemanjá. Ainda era verão. Uma tempestade se anunciou. Enquanto a corrente arrumava a Casa para receber os convidados,…
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15 de maio de 2022. Domingo de manhã. Naquele dia, eu acordei ainda mais ciente do meu novo papel nesse mundo: Pai de Santo. Abri a porta, saudei Exu Morcego, Exu Cobra e entrei, conferindo se tudo estava no lugar depois da festa. Silêncio. Um dia antes, a casa estava cheia de vida. Eu e…
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“No rio que mora yeyê ôO doce deságua no mar Quando Mãe OxumAbraça Minha Mãe Yemanjá” O atabaque vibra. São 15h30. A Mãe de Santo que habita em mim alerta à porteira: “Pode abrir o portão!” Enquanto os consulentes se espalham pela Casa, eu corro os olhos em meus filhos de santo mais uma vez,…
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Abril. Mês de Ogum. Orixá que abre os caminhos, abençoa os ofícios, a coragem e as conquistas. Naquele abril, a força de Ogum me convidava a ser potência, a olhar para o meu contra-axé. Onde há Pai Ogum, a energia é inesgotável, a vida pulsa, a prosperidade vence. A verdade é que a prosperidade apresentada…
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Antes mesmo de atravessar o portão, a Casa Axé das Águas já era uma foz em mim. Primeiro, de longe. Pela constância. Pela ordem. Pela simplicidade com que se mostrava. Num tempo em que as aparências chegam antes dos fundamentos, havia ali um outro ritmo. A Casa aparecia sem espetáculo e me fez continuar olhando…
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Fevereiro. Mês de Iemanjá. A Rainha das Águas Salgadas encontrava a Dona dos Raios e das Ventos. Cada um que entrava no terreiro, vinha carregado pelas chuvas de verão. Os sorrisos que cruzavam as conchas e pérolas que enfeitavam a porta eram atravessados por uma energia leve, serena. A Casa Axé das Águas era mar…